sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Somos o que somos, não o que compramos pra somar pobreza...

Nada de plástico, tudo de vida!



Perdi muito do material que me alcançava o tempo...
Estão nos ventos meus buçais de doma, meus chapéus caídos...

E ainda penso que ganhei da vida, meu maior presente
Por estar cadente e saber que a gente basta em ter vivido.

O que encontrares não terá meu nome, pois não foi de mim...
Ficou no chão porque não soube a mão cuidar o bem querido.

Serão as boinas e rebenques novos. Teus agora, entendes?
Eu perdi consciente e ganhastes crente por eu ter perdido.

E quando achares, no caminho saiba que eu não sou Noel.

E perdi ganhando do trenó da vida meus pertences nobres.
E que nunca o gesto de presentes caros sobressaia o claro

De um abraço antigo, de um carinho amigo no natal dos pobres.
Ensine aos menores os valores maiores de haver nascido.

Somos o que somos e jamais seremos nossos bens perdidos!
Eu preciso ver que estarás feliz quando me ver presente.

Eu preciso mesmo é que não chores nunca um bom amor vivido.
Que o teu presente seja o que o natal alerta ao bem vivido.

Compartilhem flores que estarão de graça no jardim da vida
Que floresça a praça ao te ofertar com graça o que plantou o amor

Quando o criador benzeu de luz sublime pra ser compartida.
Diga que eu não pude ofertar o preço, pois pediram muito.

E eu não tinha plata, andava de alpargata, mas cheguei FELIZ.
Tenho o que tu quis, tens o que eu almejo na ilusão dos pobres

Que esse povo “nobre” nunca venda e sobre o bom do meu País.
Que esse povo rico, esteja de alpargata... saiba andar sem plata e tenha o que comer.

Diga que eu não pude ofertar o preço para ter riqueza...
Que eu não fui às compras, me sobraram roupas e vou rezar aos nobres

Pra que tenham luzes governando o mundo pelo pão nas mesas.

Somos o que somos, não o que compramos pra somar pobreza...

(Lizandro Amaral)

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